Que vida louca levamos é essa que levamos, mãe? Essa rotina vai sufocando nossos relacionamentos tão cheios de afeto e amor. Há duas coisas que lhe quero dizer de imediato: a primeira, não pergunte e tampouco busque explicações para entender de que maneira e com que recurso lhe escrevo, pois há muitas possibilidades à disposição de uma menina às quais o senso comum não pode, por enquanto, nem imaginar, e a segunda, agradecer-lhe a oportunidade que me concedeu ao receber-me por filha e assim tratar-me durante todos esses anos.
Sempre quis escrever-te algo que transpassasse todo meu ser para cada palavra que viesse a ler. Não sei se estou conseguindo, mas vamos lá. Hoje é o seu aniversário, logo é um dia especial. Pela manhã ao acordar, depois de acordar meu irmão, sentir o cheiro de café que meu pai acabara de fazer, fui até seu quarto e leve puxei os parabéns- convenhamos que foi engraçado- Senti você nos acalentar com tanto carinho e serenidade que cheguei ao trabalho radiante. É preciosa para nós, minha querida mãezinha.
Quero afirmar que sou feliz, e o sou porque a tenho como mãe querida. Desde o princípio, ainda no seu ventre, quando me senti diferente, preocupei-me com o futuro. Que seria de mim e dos meus pais? Como seria minha vida? Perguntas que me fiz e que você e o amoroso paizinho responderam com gestos de amor e ternura. Não me faltam nada, todos os recursos de que careço para sobreviver eu os tenho e mais, no sentir deslizando suas mãos em meu rosto, naquele seu gesto carinhoso, tão próprio, sinto Deus em mim e se pudesse ou conseguisse, bradaria aos quatro ventos que a vida é bela e que é muito bom viver.
Tenho consciência de que lhe dou muito trabalho, mas que posso fazer se sou tão pequena, fraca, indefesa e dependente?
Gostaria de ser diferente do que sou somente para poupar-lhe esforços e dar-lhe mais tempo para o descanso, mas Deus quer que assim seja, e quem sou eu para questionar-lhe a Justiça, a Bondade e Misericórdia?
Quero que saiba que não obstante minha deficiência sou um Espírito lúcido, quero confirmar-lhe que sei amar, que gosto de ser amada, que meus sentimentos são iguais ao de meu irmão dito normal... Quero que saiba que sei discernir alegria e tristeza, mesmo porque as sinto de quando em quando, que sinto-me pequenina quando olhos curiosos pousam em mim, que fico triste quando não me tratam bem, mas muito radiante quando um desconhecido qualquer me trata ou olha com simpatia, que sei não possuir beleza alguma, entretanto posso dizer com segurança que depende somente de você para que eu me torne uma das mais belas estrelas da constelação Divina.
Quero que saiba, enfim, que me sinto gente e filha de Deus. Não falo todas estas coisas com o intuito de despertar a atenção para algum fato ou para que demonstre alguma outra virtude. Você tem todas as virtudes que um filho busca e necessita em sua mãe. Falo essas coisas para confirmar tudo o que você sabe a meu respeito e a respeito dos meus sentimentos. falo para que você tome conhecimento de que sei de tudo o que se passa em seu coração que pode não ser o maior do mundo, mas, seguramente, para mim é o mais aconchegante.
E tão pouco tempo é raro para sobre saltarmos o tanto que já fez por mim, por nós. Deve ser muito lindo comemorar aniversário no Natal, mês do nascimento de Cristo, mês em que temos a chance de renascer em paz e amor. Porém, a Senhora me ensinou que todos os dias devemos fazer isto e que nossa vontade de viver, vem de nossa luta pela felicidade. Agradeço a Deus por ter me presenteado com uma mãe tão "magavilhosa" e tão linda. Desde toda eternidade, TE AMO. E de verdade, seja feliz. Beijão, Marizete Barreto.




