Aos poucos a gente vai mudando o foco. E aquele velho diário já não nos serve mais. Perdemos o dom de esconder nossos medos, pensamentos, angústias, os nossos relacionamentos, os nossos objetivos, colocando-os em exposição para essa grande massa de diários virtuais. Chega a ser espantoso o número de diários nas pratileiras dos armarinhos, há espera de um simples mortal que preencha suas linhas com qualquer palavra que defina o quão valioso é escrever só pra você. Eu vi um garoto pequeno com seu diário na mão, e logo depois notei sua capa, que dizia o seguinte: é muito bom ter algo para refletir grande parte do meu "eu". É reconfortante encontrar em meio ao mundo virtual, pequenas pessoas que usam cadeados para guardarem seus segredos. Os mais íntimos segredos. É tão bom ver que as coisas estão mudando, que as pessoas estão evoluindo, mas ao mesmo tempo é triste ver o quanto coisas simples se perdem em meio há essa extensão gigante chamada : geração virtual.
Se cada pessoa ousa-se comprar um diário, ou pegar aquele velho dentro do baú, e rabiscar o que querem de verdade, o que sentem,seja um bife enrolado com cenoura ou um bom chocolate, entenderiam que escrever para você é estar cuidando de você. Mais valioso? Pra mim sim. Proferir aquilo que só meus olhos vêem, tem muito mais significado e não chega a ser tão casual e normal. Guardar sentimentos, amores,lembranças, é a única coisa que sabemos fazer.. Eu apenas queira que você soubesse que, essa criança ainda escreve no seu velho diário, que tem seu pequeno blog, mas sem ser contraditória, ela pede para que você tenha a atitude de recomeçar a trancar seus laços em linhas de um pequeno diário.

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